Tais doenças são consideradas negligenciadas devido à falta de investimento para o desenvolvimento de novas medicações e vacinas, além de terem programas de controle relacionados com baixa eficácia. A expectativa é que a criação dessas redes mobilize grupos científicos de destaque no País dedicados à temática de doenças negligenciadas, estimulando o intercâmbio e a cooperação de modo que suas distintas competências se articulem e se complementem. Assim, novos conhecimentos sobre os diferentes aspectos - biológicos, clínicos, sociais entre outros - da malária e da dengue serão mais rapidamente produzidos, contribuindo para o combate a essas doenças, tanto no que concerne aos indivíduos doentes ou expostos, quanto ao que tange às coletividades e suas condições de vida. No fim de 2012, a Fundação anunciou a assinatura de um acordo colaborativo para o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas para doenças negligenciadas típicas dos trópicos.
Entre esses agravos, está um grupo de diversas doenças transmissíveis que prevalecem em condições tropicais e subtropicais em 149 países, matam milhões de seres humanos e custam bilhões de dólares às economias em desenvolvimento a cada ano. Conheça um pouco mais sobre elas na série que preparamos e que será veiculada nas próximas semanas. Todo esse controle não é feito de forma isolada, mas de maneira integrada e conjunta com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e com o MS. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm Ao Ministério cabe a definição de diretrizes, políticas públicas e apoio técnico para a gestão integral de programas que serão executados por estados e municípios. Essas orientações direcionam as ações da Coordenação de Zoonoses e Vigilância de Fatores de Risco Biológicos/Diretoria de Vigilância de Agravos Transmissíveis (CZVFRB/DVAT/SES-MG) e também as ações da Funed.
O Brasil é o 70º país no ranking do IDH e concentra nove das 10 principais doenças tropicais consideradas negligenciadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Antônio tem 64 anos, é morador de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha, e, por ter problemas de baixa imunidade, enfrentou recentemente um tratamento contra a tuberculose. Tanto o diagnóstico quanto a aquisição dos medicamentos foram conseguidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de forma 100% gratuita. Sabemos que a desigualdade social, o baixo índice de desenvolvimento humano e o baixo grau de escolaridade são condições ideais para proliferação dessas doenças negligenciadas. Por isso, a população precisa cobrar das autoridades as condições sanitárias necessárias e o saneamento básico nas comunidades. As pessoas também podem contribuir repassando as informações necessárias para prevenção, elas podem participar dos conselhos municipais de saúde e bem estar social, cobrando mais políticas públicas e pressionando as autoridades a agirem no combate destas doenças.
Leia mais “Ao incorporar ciência e tecnologia na fronteira do conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas progrediu consideravelmente. No entanto, o estudo revela uma grande distância entre o impacto dessas doenças e o desenvolvimento de novas terapias para elas”, escreveram os autores. Nenhuma das novas entidades químicas, entre 2012 e 2018, foi direcionada para doenças tropicais negligenciadas, mas sim para malária e tuberculose. As novas terapias para a tuberculose (bedaquilina), com um novo mecanismo de ação, e para a malária por Plasmodium vivax (tafenoquina) são novidades marcantes nos últimos 40 e 60 anos, respectivamente. Em janeiro de 2021, começou a valer um novo roteiro feito pela OMS com foco no combate às 20 doenças tropicais negligenciadas que afetam mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.
Com as doenças negligenciadas, porém, parece haver uma falta de coordenação entre as necessidades de saúde e os alvos de estudo. Moléstias como chikungunya e malária têm, respectivamente, a segunda e a terceira maior prevalência dentre as enfermidades negligenciadas no Brasil. Para Josiane, além da Vigilância laboratorial, também é preciso destacar o papel que a Funed tem no desenvolvimento de pesquisas que envolvem as doenças negligenciadas. “As amostras chegam e são analisadas para diagnóstico, mas também buscamos, sempre que possível, atuar na pesquisa e no desenvolvimento de novos serviços e metodologias que possam contribuir para a saúde pública”, conta. Além de fazer os exames laboratoriais para diversos agravos e realizar a notificação para a Vigilância Epidemiológica, o Lacen-MG/Funed é referência estadual para dengue, malária, hanseníase e tuberculose, e referência nacional para doença de Chagas e leishmaniose visceral e canina. Em alguns casos, a Funed atua realizando exames confirmatórios, análises de maior complexidade, controle de qualidade e capacitações para equipes de saúde dos municípios.
O evento é voltado para os profissionais de saúde “É um simpósio que integra a universidade com o serviço de saúde. Vários profissionais que atuam na atenção primária foram convidados; a intenção é estreitar esses laços e, assim, melhorar a qualidade de vida da população, ” enfatiza Joziana. Zoonoses são doenças ou infecções naturalmente transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos. Considerando que, na grande maioria dos casos, a intervenção ou controle na origem animal pode prevenir problemas de saúde pública subsequentes, é necessário considerar e desenvolver intervenções integradas que levem em consideração as causas que interagem e são responsáveis pelos problemas intersetoriais da saúde.
Embora exista financiamento para pesquisas relacionadas às doenças negligenciadas, o conhecimento produzido não se reverte em avanços terapêuticos, como, por exemplo, novos fármacos, métodos diagnósticos e vacinas. Uma das razões para esse quadro é o baixo interesse da indústria farmacêutica nesse tema, justificado pelo reduzido potencial de retorno lucrativo para a indústria, uma vez que a população atingida é de baixa renda e presente, em sua maioria, nos países em desenvolvimento. O Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas é uma iniciativa que reúne lideranças de diferentes organizações e movimentos sociais em prol de pessoas e comunidades atingidas por enfermidades invisibilizadas, como a doença de Chagas, hanseníase, leishmanioses, malária, hepatites virais e tuberculose. Em sua oitava edição, o evento satélite pré-Medtrop 2023 busca fortalecer a representação coletiva dessas lideranças, com o objetivo de traçar estratégias para reivindicar políticas públicas e maiores investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento. De acordo com estudos publicados pelo Instituto George para a Saúde Internacional, com apoio da Fundação Bill & Melinda Gates, em 2007 foram investidos US$ 2,56 bilhões em pesquisa de doenças negligenciadas.
Nos próximos três anos, os grupos de Andricopulo e de Kevin David Read, da Drug Discovery Unit (DDU) da Universidade de Dundee, na Escócia, vão investigar o uso de produtos naturais bioativos para a descoberta de novos fármacos para o tratamento da leishmaniose e da doença de Chagas. Embora contribuam com 11% da incidência de enfermidades no mundo, as chamadas doenças negligenciadas são alvo de uma pequena fração de medicamentos que são desenvolvidos todos os anos. Pfizer, Merck, Sanofi-Aventis, Bayer, Eisai e outras têm feito parcerias em P&D de novas drogas e na distribuição de medicamentos a populações afetadas. Nos últimos dois anos foram lançados, entre outros, dois medicamentos antimalária e um novo tratamento para estágios avançados de doença do sono. Quase 40 anos após o lançamento dos dois únicos remédios disponíveis para doença de Chagas, foi anunciado, em 2009, um acordo entre a DNDi e a Eisai para teste de um novo medicamento contra a doença.