"Naquele momento, tínhamos que dar uma resposta imediata à comunidade. E a universidade se uniu para enfrentar o desafio. O Hub de Saúde Global pretende verificar os problemas da comunidade e responder a eles unindo diferentes saberes", comenta Maria Luiza Moretti. Nos dias 26 e 27 de maio, a Unicamp realizou mais uma edição dos Fóruns Permanentes, com o tema “Desafios em Saúde Global e Soluções Inovadoras”. No encontro, foi debatida a aplicação de conhecimentos e práticas interdisciplinares e a importância de parcerias para garantir a saúde da população mundial, respeitando as particularidades e solucionando os desequilíbrios das diferentes regiões do globo.
“Com a pandemia, ficou clara a fragilidade da saúde global, não só frente à ameaça da doença, mas também em relação à dificuldade de se fornecer insumos para enfrentá-la e ao agravamento das desigualdades do planeta”, analisa Fernando Coelho. Estes processos trazem à tona a necessidade de responder aos imperativos globais, buscando identificar, nas singularidades das lutas nacionais, formas, modos e estratégias de tradução que possibilitem uma ecologia dos saberes, redescrevendo e atualizando as lutas populares pelo direito à saúde. As estratégias de expansão tecnológica e científica objetivam desregulamentar os mercados e os mecanismos de proteção dos sistemas nacionais de saúde, abrindo espaço para os interesses e investimentos das indústrias farmacêuticas, dos planos de saúde e das diversas formas de parceria público-privadas que estão em jogo nas propostas de gestão e regulação nos países atualmente. Como se não bastassem todas essas observações em relação à construção desses indicadores, não é possível deixar de lado o ferramental envolvido na composição dessas bases de dados em saúde.
Ao considerar o seu significado como atividade desenvolvida por governos ou povos de dois ou mais países, ela já existia no século 2 a.C, ocasião em que China, Japão e Coreia faziam intercâmbio de conhecimentos e práticas médicas. No entanto, na definição convencional, que a considera atividade realizada por profissionais ou instituições de nações ricas em países menos desenvolvidos, ou aquela praticada por agências internacionais de saúde, remete aos séculos 16 e 17, período em que as potências coloniais estabeleceram as primeiras clínicas nas regiões conquistadas. Por último, a criação da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1948, com a participação de representantes de 18 países, consolidou-se como o mais amplo e influente fórum de discussão de saúde internacional. Complementar, porém com significado distinto, a saúde global foi proposta pela OMS a partir de 1990, ao solicitar considerações acerca das necessidades da população de todo o planeta, acima dos interesses de nações, em particular. O mapa da Figura 1, que trata da distribuição da força de trabalho em saúde nos países a partir de um indicador de densidade, demonstra o alcance e a metodologia empreendida pelas propostas e políticas de saúde global.
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Tendo a Globo como parceiro estratégico e Copatrocínio da B3, Droga Raia e White Martins, conta ainda com apoio de Bloomberg, EMS, Renner, TechnipFMC e Valgroup. Além da Accenture, DataPrev e Granado apoiando em projetos especiais, contamos com os parceiros de mídia SulAmérica Paradiso, Rádio Mix e Revista Piauí. A OMS recomenda a integração da prevenção e cuidados nos programas de saúde existentes, para permitir o acesso contínuo aos cuidados e uma resposta rápida para lidar com futuros surtos. “Embora saudemos a tendência de queda dos casos de mpox globalmente, o vírus continua afetando comunidades em todas as regiões, inclusive na África, onde a transmissão ainda não é bem compreendida”, completou Adhanom. A hipótese do estudo é que, ao desembarcar, os estrangeiros tinham maior capital humano do que os brasileiros, mensurado a partir de enumeramento – a capacidade de lidar com números. Na pesquisa, isso foi avaliado através de documentos históricos que registraram a idade declarada pelos estrangeiros ao desembarcar em portos brasileiros.
Por fim, Silvia Santiago discutiu os fatores humanos e sociais, como as relações de trabalho, condições de moradia e distribuição de renda, que produzem iniquidades em saúde. Diretora-executiva de Direitos Humanos da Unicamp, ela pontua que esses fatores não são naturais, como diferenças de idade e gênero, e sim fruto de injustiças. A diplomacia em saúde exige a colaboração entre governos e organizações de forma a fortalecer sua capacidade institucional e ampliar as oportunidades de financiamento a longo prazo. Programas efetivos para responder a epidemias, como do Ebola e da Zika, exigem a coordenação de diferentes parceiros”. Essa proposta depende de uma visão ampla da saúde, levando em conta fatores que vão além das questões estritamente médicas.
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e impactos adversos, que envolvem todas as dimensões das relações humanas, ainda carecem de análises compreensivas. O conceito de Saúde Única (One Health) foi abordado por Anna Stewart Ibarra, diretora científica do Instituto Interamericano de Pesquisas para Mudanças Globais.
A Saúde Global, incluindo os aspectos e visões médica e biológica, é focada na saúde e nas forças culturais, sociais, econômicas e políticas que a modelam pelo mundo. O processo da globalização é o motor da evolução do termo “Saúde Global”, que carrega
A despeito de todas as considerações acima delineadas, são incontestes os esforços realizados para a composição, estruturação e delineamento de Indicadores de Saúde Globais, induzidos, portanto, pelos processos de globalização. Um exemplo é a possibilidade de se valer da realidade virtual nos cursos técnicos em enfermagem, principalmente no interior, para a realização de visitas técnicas em setores de alta complexidade em hospitais de grande porte. Já o metaverso pode possibilitar a criação de ambientes virtuais e seguros para simulação, com interações físicas, voltados para aulas de biossegurança, consultas, laboratório de anatomia humana em realidade virtual e outros. “Metaverso e realidade virtual nos processos educativos em saúde” será ministrada pelos professores da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Me. André Luiz Fialho Coutinho, que abordarão acerca da adoção de novas tecnologias nos processos formativos da saúde.
grupo social. A produção compartilhada de conhecimento, o estabelecimento de redes de trabalhadores e usuários de sistemas de saúde, o compartilhamento de experiências fundadas na biomedicina e em outras tradições e formas de cuidado socialmente reconhecidas são iniciativas vigorosas para a construção de projetos de globalização contra-hegemônicos. Temas paradigmáticos das reformas sanitárias dos anos 1970, que visavam à redução das desigualdades sociais em saúde, deixam o território das políticas de proteção social dos Estados-nacionais e surgem desterritorializadas no século XXI, através de políticas que devem promover a equidade em saúde, por meio de ações de monitoramento e controle de doenças no mundo. O mapa a seguir exemplifica esse processo de construção epistemológico e político que se inicia na construção de indicadores e culmina na formulação de políticas de saúde global (Figura 1).
ética em Saúde Global e de uma abertura para novos temas de pesquisa focados na urgência de dividir e resolver os problemas complexos e conjuntos da humanidade. Assim, cabe indagar se há espaços de debate na formação do médico e, também, durante sua carreira, para a reflexão crítica a respeito das questões relacionadas à saúde internacional, globalização e saúde global que o capacite para, juntamente com seus pares e demais agentes sociais, enfrentar os novos desafios que o mundo contemporâneo coloca. A migração é um fenômeno global, envolve uma em cada sete pessoas ao redor do mundo e dificilmente poderá ser contida por leis ou muros.