“Diretrizes de várias sociedades científicas, entre elas a SBR, não recomendam o tratamento da fibromialgia com medicação homeopática”, explicou ele. “Mas muitos dos trabalhos em homeopatia têm metodologias falhas e, apesar de alguns apresentarem resultados positivos à primeira vista, uma análise mais cuidadosa revela uma série de problemas na forma como aquilo foi feito”, aponta ele. Uma investigação sobre estudos em homeopatia encomendada pelo Governo da Austrália em 2015, aponta que “não há nenhuma condição de saúde para a qual há evidência confiável de que a homeopatia é efetiva”.
A homeopatia é reconhecida desde 1980 como especialidade pela Associação Médica Brasileira (AMB) e, em 1981, o Conselho Federal de Medicina (CFM) a incluiu no rol de suas especialidades. No Ministério da Saúde, a homeopatia é parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, instituída em 2006, que também inclui fitoterapia, reiki, arteterapia, dança circular, entre outras. Outra paciente, a vendedora ambulante Zilda Maria Pereira dos Reis, 61 anos, conta que melhorou das dores nas pernas desde que começou o tratamento homeopático. É por isso que as consultas com um homeopata são tão longas — nunca menos do que 40 minutos para um primeiro encontro, nem menos de 20 minutos para um retorno. Antes de receitar um remédio, o homeopata precisa saber como a pessoa é, já que os mesmos sintomas podem ser tratados por medicamentos totalmente diferentes, a depender da personalidade do paciente.
Maria Aparecida Crepaldi conduziu a elaboração do estudo e contribuiu na revisão final do artigo. Para Pasternak, se existe um interesse econômico neste debate, é dos que “dependem da homeopatia para viver” e se articulam em defesa do próprio ganha-pão. “As pessoas que falam contra a homeopatia o fazem porque são cientistas, mas não ganham nada com isso”, diz.
"Não há evidência robusta de que os produtos homeopáticos são efetivos para qualquer doença conhecida, mesmo que às vezes exista um efeito placebo." A forma de interação médico-paciente na consulta homeopática, a grande resolutividade e o equilíbrio da saúde física e emocional que proporciona libertam as pessoas de muitos problemas de saúde que as fariam ficar dependentes de medicamentos para o resto da vida. Nas doenças agudas ela age muito rapidamente reduzindo os agravamentos e a necessidade de hospitalização.
Pasternak também diz que quando testada em testes clínicos de padrão ouro, os mesmos usados para qualquer medicamento alopático, a homeopatia falha. Humanizar o atendimento aos pacientes, adotar práticas preventivas para o enfrentamento das doenças, construir um viver saudável, recuperando o entendimento do conceito saúde-doença, são os princípios que orientam as políticas do SUS e que vêm ao encontro dos fundamentos da homeopatia. Além disso, a inclusão desta no SUS possibilita ampliar o universo de usuários, configurando o direito de escolha do cidadão. O conceito que estabelece que o atendimento integral ao usuário significa atender o paciente em todas as suas necessidades, nos aspectos biopsicossocial e como um todo, pareceu ser um conceito bem sedimentado entre os acadêmicos. O fato de 44% do total de respostas contemplarem estes conceitos nos levou a confrontar a grade curricular e a observar as diferenças entre as respostas dos que tiveram alguma disciplina de saúde coletiva ministrada e os que não tiveram.
Descubra o que aconteceu
No Recife, a Prefeitura inaugurou em setembro de 2006 o Laboratório de Homeopatia Maria Bernadete Cerqueira Antunes, localizado na Unidade de Cuidados Integrais à Saúde (UCIS) Professor Guilherme Abath, no bairro do Hipódromo. O local é o primeiro de Pernambuco a produzir medicamentos homeopáticos para a rede pública de saúde e distribuir gratuitamente para os usuários do SUS da capital. Na clínica de pets, o desvio comportamental de coprofagia, a eliminação de papilomatose oral, o tratamento de desvios de comportamento como a agressividade e o medo de ruídos altos são alguns dos tratamentos com sucesso.
“É uma lei que vai trazer mais médicos e ajudar a desafogar as filas dos hospitais”, explica Ota, na sala de seu gabinete no Palácio Anchieta, sede da Câmara Municipal de São Paulo (CMSP). O vereador defende que, ao lidar com a prevenção de doenças, a homeopatia poderia ajudar a desafogar os hospitais municipais. Para fundamentar seu raciocínio, abre uma gaveta de sua mesa e retira um maço aberto de cigarros.
Oferece congressos bianuais, participação de seus associados pesquisadores em eventos nacionais e internacionais e qualifica e credencia cursos de pós-graduação nessa especialidade. A homeopatia foi a primeira especialidade médico-veterinária a ser reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em 2000; e os trabalhos de médicos-veterinários nesta área já são reconhecidos mundialmente. A homeopatia veterinária é um tratamento terapêutico que atua nos problemas físicos e comportamentais. Sua atuação pode ser em caráter preventivo, curativo e melhora o desempenho animal, o que incrementa a produção. Nos animais de companhia, permite equilíbrio da saúde física e comportamental, promovendo indiretamente a saúde dos humanos que convivem com os pets.
Por fim, Pasternak admite que, apesar da falta de evidências sobre a efetividade, a homeopatia tem algo muito valioso para ensinar a todos os que lidam com a saúde. Na contramão, caso alguém queira comprar produtos homeopáticos com dinheiro próprio, isso é uma decisão que compete a cada pessoa, acredita a microbiologista. A BBC News Brasil pediu um posicionamento do Ministério da Saúde sobre as críticas envolvendo as práticas alternativas no SUS, mas não foram enviadas respostas até a publicação desta reportagem.
Veja como funciona
No relatório oficial foi concluído que não há evidências de uma eficácia suficiente desses produtos. A homeopatia é reconhecida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e tem um espaço como matéria optativa na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Entretanto, a eficácia deste tipo de tratamento ainda gera debate entre médicos, principalmente porque tem pouco respaldo de publicações científicas respeitadas.