equidade e de ampliação da autonomia das pessoas e dos povos. “A literatura indica que populações que arredondam os números com menos frequência geralmente têm capacidades numéricas mais elevadas”, esclarece Monasterio. Assim, quanto maior a frequência de números arredondados, menor o enumeramento – relação baseada na premissa de que a precisão com que se trata os números é proporcional à complexidade das situações em que são utilizados, como as transações comerciais. Esse fato ecoa em dados da década de 1920, quando, segundo o recenseamento, 23% dos brasileiros eram alfabetizados, diante de 52% dos estrangeiros. Em um país que se urbanizava rapidamente, esse maior capital humano dos recém-chegados fez com que se concentrassem em atividades econômicas mais qualificadas do que os brasileiros. "O setor da saúde utiliza pouco os serviços climáticos. https://mundoeducacao.uol.com.br/drogas/maconha.htm Barreiras institucionais reduzem sua implementação", argumenta.
Garantir os direitos dos migrantes, em especial o acesso à saúde, é necessário para que todos, inclusive a sociedade que os acolhe, beneficiem-se desse movimento. Essa é a principal conclusão do relatório sobre migração e saúde que acaba de ser divulgado pela revista científica britânica The Lancet em parceria com a University College London (UCL), na Inglaterra. A partir de evidências obtidas em extensa revisão de estudos sobre o tema, o documento contesta estereótipos e mostra o hiato existente entre os serviços de saúde disponíveis aos migrantes e suas reais necessidades.
Ela também aponta a necessidade de conhecimentos humanísticos, a fim de investigar os problemas de ordem social. "Se não incluirmos as populações mais vulneráveis, é pouco provável que possamos tomar medidas efetivas para reduzir os riscos à saúde". O epidemiologista deu exemplos de projetos do CDC em parceria com governos e instituições globais, como os estudos de eficácia no tratamento contra a malária desenvolvidos na América Latina, África Subsaariana e Sudeste Asiático. “"Enquanto nas Américas o foco era a criação, transferência de tecnologia e coleta de informações para a tomada de decisões, na África e na Ásia, metade dos fundos se destinou à compra e distribuição de insumos", detalha. Mestre e doutor em Clínica Médica pela Unicamp, Alexandre de Macedo Oliveira, epidemiologista-sênior do Centro de Controle de Doenças (CDC) em Atlanta (EUA), defendeu que a inovação em saúde deve ir além do pensamento tecnológico. Em período recente, observa-se no âmbito do ensino de terceiro e quarto graus, nacional e internacionalmente, cada vez mais presente a importância dada aos princípios da internacionalização, interdisciplinaridade e interistitucionalidade e nucleações, particularmente na formação no quarto grau do ensino acadêmico.
Foca o arcabouço normativo internacional, os acordos internacionais, as inovações tecnológicas e suas implicações locais e globais. A análise dos indicadores de saúde global parte de duas dimensões que, apesar de constituírem dispositivos associados politicamente, conformam comunidades epistêmicas e sociais distintas. Uma dirigida à comunidade de especialistas que compartilham valores, regras e tecnologias para a construção e legitimidade dos indicadores, e outra que parte do uso retórico/argumentativo que os organismos internacionais, governos e outras instituições e atores políticos utilizam para influir na adoção de políticas, programas e ações de saúde.
“Os temas dessas duas palestras estão relacionados com os desafios que a ETSUS terá que enfrentar nos próximos anos para realizar a formação de técnicos de nível médio preparados e qualificados para as dificuldades e potencialidades que o setor saúde e as sociedades, cada vez mais ‘globalizadas’ e tecnológicas, terão que enfrentar em um breve futuro”, aponta. Outro mito enfrentado é o de que as migrantes teriam taxas de fertilidade mais elevadas do que as nativas, o que levaria essas comunidades a crescer em ritmo mais rápido do que a sociedade que as recebe. Estudos realizados em seis países – França, Alemanha, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido – mostram que ocorre o contrário. À exceção das imigrantes turcas, as taxas médias entre migrantes são inferiores a 2,1 e apresentam tendência de queda, indicando que mal ultrapassam o nível da reposição populacional.
No entanto, o surto atual da doença tem apresentado características epidemiológicas diferentes, com sintomas que podem ser bastante discretos. Em 23 de julho de 2022, o diretor-geral da OMS declarou o surto de mpox em vários países como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nesta quinta-feira (11), que a mpox, doença conhecida anteriormente como varíola dos macacos, deixou de ser classificada como uma emergência global pela entidade. Destacaremos algumas definições encontradas em nossas pesquisas e que representam algumas posições político-epistemológicas a respeito do tema. Os profissionais de saúde arcam com a maior parte desses esforços, mas geralmente recebem pouco reconhecimento ou recompensa.
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Confira todas as edições dos Cadernos CRIS - Informe sobre Saúde Global e Diplomacia da Saúde, publicação quinzenal que vem acompanhando a situação da pandemia de Covid-19 internacionalmente, mapeando cenários epidemiológicos, crises e ações para o controle da doença. A outra vertente, de caráter mais instrumental, utiliza a saúde como ferramenta para viabilizar interesses próprios de países mais preocupados com a sua própria segurança sanitária, em aspectos fronteiriços, militares, econômicos e comerciais.
O objetivo do trabalho é discutir a construção da chamada saúde global, identificando seus usos políticos e epistemológicos. O uso retórico dos indicadores de saúde globais e suas relações com os processos de globalização são tratados como analisadores. Realizou-se pesquisa bibliográfica e documental, cuja análise partiu de uma perspectiva crítica e construcionista da produção de conhecimento e dos processos de globalização na saúde, tendo como referência a obra do sociólogo Boaventura Santos. Apesar do uso do adjetivo global, o trabalho destacou a disputa política e epistemológica em curso nas relações entre globalização e saúde, e o uso retórico de indicadores de saúde globais para a construção de políticas para países pobres e em desenvolvimento. Considerou-se que esta estratégia visa influenciar sistemas nacionais de saúde numa perspectiva transcultural e colonizadora, apagando os saberes, as tradições e modos de subjetivação locais. Como disciplina e área prática, a saúde internacional investiga a temática por meio do estudo dos processos e das relações que envolvem o poder mundial, afetando os perfis epidemiológicos e a organização dos sistemas de saúde em cada uma das nações.