Dtns: Brasil Tem Mais De 90% Dos Novos Casos De Hanseníase Registrados Nas Américas Ministério Da Saúde

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Dtns: Brasil Tem Mais De 90% Dos Novos Casos De Hanseníase Registrados Nas Américas Ministério Da Saúde

“Do rol das moléstias negligenciadas, a dengue foi talvez a que teve maior planejamento público de  pesquisa, com desdobramentos importantes, entre eles um composto candidato a vacina em desenvolvimento pelo Instituto Butantan”, afirma Dias. Na outra ponta, enfermidades como oncocercose, equinococose e tracoma responderam por apenas 0,3% das pesquisas e 0,1% dos recursos despendidos – entre 2008 e 2019, o Brasil registrou mais de 191 mil casos de tracoma. Os valores foram atualizados para 2021 e ajustados pela paridade de poder de compra, métrica usada para equiparar moedas de diferentes países de acordo com sua capacidade de adquirir bens e serviços. O restante veio de fundos setoriais (14,7%), de agências estaduais de apoio à pesquisa (11,5%) e dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação (0,5%). A Fundação Bill e Melinda Gates, organização filantrópica com sede nos Estados Unidos reconhecida por seus esforços no combate a doenças como malária, contribuiu com 3,6% do quinhão destinado a pesquisas sobre essas moléstias no Brasil – os recursos, nesse caso, foram para trabalhos sobre dengue e tuberculose.

Doenças negligenciadas


O Brasil é o 70º país no ranking do IDH e concentra nove das 10 principais doenças tropicais consideradas negligenciadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Antônio tem 64 anos, é morador de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha, e, por ter problemas de baixa imunidade, enfrentou recentemente um tratamento contra a tuberculose. Tanto o diagnóstico quanto a aquisição dos medicamentos foram conseguidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de forma 100% gratuita. Sabemos que a desigualdade social, o baixo índice de desenvolvimento humano e o baixo grau de escolaridade são condições ideais para proliferação dessas doenças negligenciadas. Por isso, a população precisa cobrar das autoridades as condições sanitárias necessárias e o saneamento básico nas comunidades. As pessoas também podem contribuir repassando as informações necessárias para prevenção, elas podem participar dos conselhos municipais de saúde e bem estar social, cobrando mais políticas públicas e pressionando as autoridades a agirem no combate destas doenças.
Os autores identificaram uma alta concentração de recursos para trabalhos em biomedicina básica (81,6% do total), desenvolvidos em laboratório e majoritariamente voltados à investigação dos mecanismos de ação dos patógenos e desdobramentos da infecção no organismo. Enquanto isso, pesquisas de caráter epidemiológico e de avaliação e aprimoramento dos serviços de saúde receberam apenas 7% dos recursos totais. É certo que o levantamento do G-Finder considera como negligenciadas doenças não mais classificadas assim pela OMS, como a malária, que se tornou alvo de mais investimentos nos últimos anos. Desenvolvida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, a vacina age contra Plasmodium falciparum, o mais letal dos cinco parasitas que causam a malária.  https://unafiscosaude.org.br/site/dependencia-quimica-e-os-tratamentos-mais-indicados/ O trabalho Diagnóstico remoto e proficiência 3D para malária, do pesquisador do Serviço de Doenças Parasitárias (SDP) da Funed, Job Alves de Souza Filho, venceu a categoria Ideias Inovadoras Implementáveis, em 2021. O trabalho vencedor propôs uma solução para modernizar o diagnóstico da malária no estado, doença negligenciada que ainda causa muitas mortes no Brasil.

A pobreza está intrinsicamente relacionada com a ocorrência de doenças tropicais negligenciadas (DTNs). Os principais países com os menores índices de desenvolvimento humano (IDH) e a maior carga de DTNs estão nas regiões tropicais e subtropicais do globo terrestre. O Brasil é o 70º país no ranking do IDH e concentra nove das 10 principais doenças tropicais consideradas negligenciadas pela OMS. Mais de 90% dos casos de malária ocorrem na região norte e há surtos de filariose linfática e oncocercose. Essas doenças são consideradas negligenciadas devido à falta de investimento no desenvolvimento de novas drogas e vacinas e também pela pouca eficácia dos programas de controle. Um problema preocupante em relação às DTNs é a co-infecção com HIV, que favorece manifestações clínicas graves e falência terapêutica.

As doenças negligenciadas são aquelas causadas por agentes infecciosos ou parasitas e são consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Essas enfermidades também apresentam indicadores inaceitáveis e investimentos reduzidos em pesquisas, produção de medicamentos e em seu controle. As doenças tropicais, como a malária, a doença de Chagas, a doença do sono (tripanossomíase humana africana, THA), a leishmaniose visceral (LV), a filariose linfática, o dengue e a esquistossomose continuam sendo algumas das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Estas enfermidades, conhecidas como doenças negligenciadas, incapacitam ou matam milhões de pessoas e representam uma necessidade médica importante que permanece não atendida. Embora as doenças tropicais e a tuberculose sejam responsáveis por 11,4% da carga global de doença, apenas 21 (1,3%) dos 1.556 novos medicamentos registrados entre 1975 e 2004, foram desenvolvidos especificamente para essas doenças.

Doenças negligenciadas


Desse total, pesquisas sobre a Aids ficaram com 42%; malária e tuberculose, com outros 34% e, menos de 5%, foram para pesquisas em doença do sono, leishmaniose visceral e doença de Chagas, que afetam juntas mais de 500 milhões de pessoas. Doenças negligenciadas são aquelas doenças causadas por agentes infecciosos ou parasitas e são consideradas endêmicas em populações de baixa renda, especialmente entre as populações pobres da África, Ásia e América Latina. O baixo acesso à água e a falta de saneamento básico contribuem para a disseminação dessas doenças. No Brasil, as pesquisas sobre dengue, leishmaniose e tuberculose foram as que mais receberam apoio entre 2004 e 2020.
Com a perda dos dados, também é difícil definir políticas públicas de saúde compatíveis com a realidade.  Veja por si mesmo Isso aumenta o risco do surgimento de novas epidemias, uma vez que não se sabe a atual magnitude dos casos de DTNs. – A água segura, o saneamento e a higiene (WASH, na sigla em inglês) são componentes essenciais da estratégia de combate às DTNs e fatores críticos na prevenção e na prestação de cuidados para a maioria delas.
Nos próximos três anos, os grupos de Andricopulo e de Kevin David Read, da Drug Discovery Unit (DDU) da Universidade de Dundee, na Escócia, vão investigar o uso de produtos naturais bioativos para a descoberta de novos fármacos para o tratamento da leishmaniose e da doença de Chagas. Embora contribuam com 11% da incidência de enfermidades no mundo, as chamadas doenças negligenciadas são alvo de uma pequena fração de medicamentos que são desenvolvidos todos os anos. Pfizer, Merck, Sanofi-Aventis, Bayer, Eisai e outras têm feito parcerias em P&D de novas drogas e na distribuição de medicamentos a populações afetadas. Nos últimos dois anos foram lançados, entre outros, dois medicamentos antimalária e um novo tratamento para estágios avançados de doença do sono. Quase 40 anos após o lançamento dos dois únicos remédios disponíveis para doença de Chagas, foi anunciado, em 2009, um acordo entre a DNDi e a Eisai para teste de um novo medicamento contra a doença.