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Embora exista financiamento para pesquisas relacionadas às doenças negligenciadas, o conhecimento produzido não se reverte em avanços terapêuticos, como, por exemplo, novos fármacos, métodos diagnósticos e vacinas. Uma das razões para esse quadro é o baixo interesse da indústria farmacêutica nesse tema, justificado pelo reduzido potencial de retorno lucrativo para a indústria, uma vez que a população atingida é de baixa renda e presente, em sua maioria, nos países em desenvolvimento. O Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas é uma iniciativa que reúne lideranças de diferentes organizações e movimentos sociais em prol de pessoas e comunidades atingidas por enfermidades invisibilizadas, como a doença de Chagas, hanseníase, leishmanioses, malária, hepatites virais e tuberculose. Em sua oitava edição, o evento satélite pré-Medtrop 2023 busca fortalecer a representação coletiva dessas lideranças, com o objetivo de traçar estratégias para reivindicar políticas públicas e maiores investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento. De acordo com estudos publicados pelo Instituto George para a Saúde Internacional, com apoio da Fundação Bill & Melinda Gates, em 2007 foram investidos US$ 2,56 bilhões em pesquisa de doenças negligenciadas.
Com transmissão ao vivo pelo canal do Medtrop no YouTube, pessoas de todo o país poderão contribuir com esse importante debate. Em breve, serão divulgadas mais informações sobre data, local e inscrições para participação presencial. Na área da qualidade, a Funed desenvolve diversos ensaios de proficiência, que tem o objetivo da avaliar e demonstrar a proficiência de diversos laboratórios do estado nos ensaios avaliados, ou seja, demonstrar a competência técnica do laboratório na execução desses ensaios.
Para reforçar a importância da participação comunitária na redução dos focos de contaminação e dos índices de transmissão das principais Doenças Tropicais Negligenciadas existentes em território brasileiro, a Pasta da Saúde, juntamente com estados e municípios, realiza ações de prevenção e controle. Projetos de capacitação com profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) e estratégias de busca ativa de casos suspeitos nas comunidades estão entre as estratégias adotadas, assim como a atualização dos sistemas de informação sobre as doenças. Indústrias farmacêuticas, de modo geral, demonstram pouco interesse em desenvolver medicamentos contra essas moléstias – como atingem populações pobres, tais remédios teriam um potencial restrito de exploração econômica. “É importante que os países afetados invistam em soluções próprias de prevenção, diagnóstico e tratamento”, afirma Dias.
Com a perda dos dados, também é difícil definir políticas públicas de saúde compatíveis com a realidade. Isso aumenta o risco do surgimento de novas epidemias, uma vez que não se sabe a atual magnitude dos casos de DTNs. – A água segura, o saneamento e a higiene (WASH, na sigla em inglês) são componentes essenciais da estratégia de combate às DTNs e fatores críticos na prevenção e na prestação de cuidados para a maioria delas.
“Ao incorporar ciência e tecnologia na fronteira do conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas progrediu consideravelmente. No entanto, o estudo revela uma grande distância entre o impacto dessas doenças e o desenvolvimento de novas terapias para elas”, escreveram os autores. Nenhuma das novas entidades químicas, entre 2012 e 2018, foi direcionada para doenças tropicais negligenciadas, mas sim para malária e tuberculose. As novas terapias para a tuberculose (bedaquilina), com um novo mecanismo de ação, e para a malária por Plasmodium vivax (tafenoquina) são novidades marcantes nos últimos 40 e 60 anos, respectivamente. Em janeiro de 2021, começou a valer um novo roteiro feito pela OMS com foco no combate às 20 doenças tropicais negligenciadas que afetam mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.
O controle dos vetores continua a ser um componente importante da prevenção e controle das doenças de transmissão vetorial. – As estratégias relacionadas com a ecologia e a gestão de vetores devem ser centradas no desenvolvimento e na promoção de diretrizes baseando-se nos princípios da gestão integrada de vetores – um componente importante na prevenção e no controle das doenças de transmissão vetorial. Para o combate à hanseníase, o Ministério da Saúde desenvolveu a Estratégia Nacional para Enfrentamento da Hanseníase, que norteia estados e municípios para as ações de enfrentamento à doença. Em 2021, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), cerca de 20 DTNs foram registradas. Moléstias parasitárias, zoonoses como a leishmaniose visceral e a raiva, atingem humanos e animais e são encontradas com certa frequência na América do Sul.
Mas mesmo que o setor público e a academia invistam em pesquisa, o avanço é muito mais difícil sem a infraestrutura da indústria, principalmente na criação de tratamentos e na fabricação de remédios. "Para essas doenças é o setor público quem financia mais pesquisas, e isso gera descobertas importantes. Mas para questões de inovação e tratamento, a parceria com a iniciativa privada é essencial", diz Werneck. "É um tratamento que tem mais de cem anos e é muito tóxico. A pessoa entra no tratamento e pode ter problema cardíaco, renal", explica o epidemiologista Guilherme Werneck, doutor em saúde pública por Harvard e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Entre janeiro de 2012 e setembro de 2018, 256 novos fármacos chegaram ao mercado, mas apenas oito, ou 3,1%, tinham como alvo doenças negligenciadas. A marca atual supera a do período entre 1975 e 1999, quando só 1,1% foi direcionado a elas, mas é menor que a do período de 2000 a 2011, em que 4,3% dos medicamentos novos eram voltados para as negligenciadas. As estratégias relacionadas com a ecologia e gestão de vetores centradas no desenvolvimento e promoção de diretrizes baseiam-se nos princípios da gestão integrada de vetores.
Os autores identificaram uma alta concentração de recursos para trabalhos em biomedicina básica (81,6% do total), desenvolvidos em laboratório e majoritariamente voltados à investigação dos mecanismos de ação dos patógenos e desdobramentos da infecção no organismo. Enquanto isso, pesquisas de caráter epidemiológico e de avaliação e aprimoramento dos serviços de saúde receberam apenas 7% dos recursos totais. É certo que o levantamento do G-Finder considera como negligenciadas doenças não mais classificadas assim pela OMS, como a malária, que se tornou alvo de mais investimentos nos últimos anos. Desenvolvida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, a vacina age contra Plasmodium falciparum, o mais letal dos cinco parasitas que causam a malária. O trabalho Diagnóstico remoto e proficiência 3D para malária, do pesquisador do Serviço de Doenças Parasitárias (SDP) da Funed, Job Alves de Souza Filho, venceu a categoria Ideias Inovadoras Implementáveis, em 2021. O trabalho vencedor propôs uma solução para modernizar o diagnóstico da malária no estado, doença negligenciada que ainda causa muitas mortes no Brasil.
Entre esses agravos, está um grupo de diversas doenças transmissíveis que prevalecem em condições tropicais e subtropicais em 149 países, matam milhões de seres humanos e custam bilhões de dólares às economias em desenvolvimento a cada ano. Conheça um pouco mais sobre elas na série que preparamos e que será veiculada nas próximas semanas. Todo esse controle não é feito de forma isolada, mas de maneira integrada e conjunta com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e com o MS. Ao Ministério cabe a definição de diretrizes, políticas públicas e apoio técnico para a gestão integral de programas que serão executados por estados e municípios. Essas orientações direcionam as ações da Coordenação de Zoonoses e Vigilância de Fatores de Risco Biológicos/Diretoria de Vigilância de Agravos Transmissíveis (CZVFRB/DVAT/SES-MG) e também as ações da Funed.
– Zoonoses são doenças ou infecções naturalmente transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos. Considerando que, na grande maioria dos casos, a intervenção ou controle na origem animal pode prevenir problemas de saúde pública subsequentes, é necessário considerar e desenvolver intervenções integradas que levem em consideração as causas que interagem e são responsáveis pelos problemas inter-setoriais da saúde. Para se tentar controlar esta situação são necessários não só investimentos em pesquisa de novos medicamentos e vacinas, mas também a melhoria das condições sanitárias das populações afetadas, pois este é um dos maiores problemas associados a estas doenças. Com mais de 90% dos novos casos de hanseníase da América Latina, o Brasil faz parte da lista de 23 países prioritários no combate à doença. A condição integra as chamadas Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) — causadas por agentes infecciosos ou parasitas — um desafio para o Ministério da Saúde, que desenvolve estratégias de enfrentamento com o objetivo de eliminar tais enfermidades. Os resultados reforçam os achados de outro trabalho, publicado em fins de 2020 na revista Tropical Medicine and International Health por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (CDTS-Fiocruz), no Rio de Janeiro.